Da 473ª à 483ª.
2009-01-10 16:24
*473: Quem Disse Que Sonhar...
Quem deu essa idéia...
de sonhar e ir realizar?
Quem foi o doido...
que tentou um dia voar?
Tentou no outro navegar...
e depois dentro de casa
excrementar... quem?
Quem disse que um sonho
poderia ser um fato consumado...
e viajou como um raio...
e fala com um pedaço...
de plástico na mão...
e se educa... com a imagem
projetada num vidro...
quem inventou ela... a realidade?
Quem disse que somos
do tamanho dos nossos sonhos...
que sempre sonhou...
para sempre viver...
e hoje é lembrado por ter dito
o que rege nossas ilusões... quem?
Quem falou ao espelho...
que iria conseguir....
viver sem depressão...
e matar a tristeza...
e sorri tanto em público... tão forte...
sereno e conciso... falso... que pena;
quem disse que está feliz?
Quem disse que é tudo verdade?
E quem falou que tudo é um sonho?
Quem me disse que sonhar é viver...
e que morrer... é esquecer de sonhar?
... tudo bem... Vou quebrar este espelho.
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*474: Quem?
Que sou eu
para falar
de você?
De quem amo
de quem quero
e sigo no olhar
pelos traços
dos caminhos
solitários da vida?
Sou eu?
Que sou?
Para falar
dos teus olhos
da tua boca
mordendo os lábios
destacando
a ferida que beijou
o meu coração.
Sou?
Ou fui ao te esquecer,
ao morrer, ao partir
para longe do teu olhar,
ao andar sozinho
a vaguejar pelas
lágrimas e dores
e solidões que são
que são eu.
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*475: Que Vai Além.
Morrer sem você
é morrer depressivo
descobrindo que
só se aprende a viver
no fim da linha
da vida, se perceber
que tudo foi um erro,
que tudo foi errado
que a vida é um erro.
Morramos juntos
choremos por nós,
e pela tristeza nos
lamentemos a sós,
pela solidão amamos...
cada um a si mesmo,
mesmo que o amor,
seja um sonho,
onde acordamos no fim,
na hora de chorar,
e ter a esperança,
de um dia, quem sabe
encontrarmo-nos
além da vida,
além das lágrimas,
além da tristeza,
além da solidão.
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*476: Porque.
Porque a tristeza me devora.
Porque a melancolia é minha ouvinte.
Porque a agonia é minha companhia.
Porque sofrer é o meu destino.
Porque sonhar é pesadelo.
Porque sorrir me parece covardia.
Porque cair é meu passo seguinte.
Porque minha dor desflora.
Por que viver tão sozinho?
Por que chorou e chora... chorará?
Por que morrer é senão levitude?
Por que estou tão triste?
Por que... o coração resiste?
Por que ele nunca de sangrar deixará?
Por que vejo na depressão... magnitude?
Por que sigo só, meu caminho?
Por que o sonhar me faz refém?
Porque nasci pra sofrer...
Por que quero ir sempre além?
Porque grande vou ser...
Por que todos os grandes sofreram?
Porque homens são de sonhos.
Por que nunca os grandes morreram?
Porque viveram tristonhos.
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*477: Poesia, Meu Amor.
Deixa-me te olhar
Como a primeira vez,
Deixa-me fazer-te voar
Como ninguém nunca te fez.
Deixa o meu som soar
Dentro do teu peito vazio
Deixa eu fazer-te gargalhar
Neste teu olhar denso e sombrio.
Deixa eu em você brotar,
Renascer do teu peito,
Como o vento em pleno ar
Se mostra invisível e refeito.
Não me deixe quieta, aqui, sozinha,
Já que a dor é que te faz companhia,
Faça-me como antes, quando me tinha
No seu peito e era só sua... A sua poesia.
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*478: Poesia Clichê.
Amar com a certeza de chorar,
por amor, por perder e se magoar,
e ouvir de longe o canto
da solidão, da angústia, da tristeza,
do momento silencioso do pranto,
trancando-se, sem ver da vida, a beleza,
e os momentos felizes de encanto
de fascínio com a escola,
que a nossa vida é,
sem que perdamos toda a fé
com a evolução sentimental
que aos pedaços nos devora,
deixando-nos somente as lágrimas no final.
Chorar com a certeza de amar...
de se perder no primeiro olhar
e dele apenas encontrar a emoção de um beijo,
ao sentir as pernas tremerem,
o coração flamejar ao simples toque;
e neste recomposturar-se de reboque
não terem correntes para te prenderem
e ver dentre multidões, seu amor em enfoque,
e ver que dali, daqueles olhos pulsa o amor pela vida,
que desde que se sente como uma ferida,
vem sim... vem te fazer a tudo amar
lá vem quem te ama, transformá-la em querida,
e contigo chorar,
e dentre o choro te beijar...
e transformar a mágoa encontrada
em sorrisos, em mágoa perdida
numa noite de dor cerrada
noite esta... tão sofrida.
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*479: Pensar.
Quero pensar,
Que tudo vai melhorar,
Que amanhã vou sorrir,
E de hoje vou lembrar,
Como um dia que me ensinou,
Que a dor sempre tem fim.
Quero pensar,
Que as luzes me focarão
No meio desta escuridão,
Ou deste turvo caminho
Que sigo sozinho,
Cotejando a minha dor,
Triste, pela solidão,
Da falta do seu amor.
Quero pensar,
Que você vai me ter,
Dentre teus sonhos,
Lá, irá sempre me ver,
Entre os felizes,
Não dentre os tristonhos
estarei... entre os aprendizes
De como adorar a vida
E não mais pensar
No branco da margarida,
Que me lembram deste momento,
Fazendo odiar-me por dentro,
E eternamente querer chorar,
Por desistir, e me matar.
--- Quero olhar teus olhos chorados
e ver o quanto ao versar...
foram meus momentos desesperados.
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*480: Pararei.
Sabe...
--- pararei de me enganar...
jamais terei você
comigo, ao meu lado
jamais serei feliz
com tanta mentira
sobre as verdades
que a vida me priva...
sabe...
você é uma verdade...
eu te amo...
mas sou eu a mentira...
sabe...
--- pararei de me enganar.
Esquecerei meus sorrisos,
meus dilacerares de peito,
minhas lágrimas de canto
de olhos brilhantes,
por ler o seu amor,
marcado no meu peito...
--- pararei de mentir...
ou antes de respirar,
sabe... deixarei de não ser
quem eu quero ser,
mas que não posso te dar,
além do que te ama,
além do que não sou....
--- pararei de me enganar.
Sabe... acabarei com as mentiras,
mas com elas, as verdades
não irão, vão ficar,
sempre a bater,
sempre a pulsar,
sempre no meu peito
para te lembrar...
sabe... eu te amo,
e amo de verdade...
te deixarei ir...
--- pararei de me enganar...
eu te amo,
mas a mentira me aloja,
longe da certeza,
da verdade do nosso amor....
--- pararei de me enganar...
deixarei-te ir...
e para sempre..
irei chorar...
mas não mais
irei me enganar.
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*481: Para Gabriel.
Antes sorrir
Por uma mentira
Do que chorar
Por uma verdade.
Antes chorar
Por uma mentira
Do que chorar
Por uma verdade.
Quando se olha para verdade
E não se vê na felicidade
Chorar não importa,
Crer no que vê também não,
A vida não importa mais,
Se não rimos de uma história,
Mesmo que seja a nossa
História trágica... da nossa vida.
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*482: O Som do Desespero.
Sonho no papel
que voa sobre fogo,
mergulha em lágrimas
afogando minha dor
no ódio da minha revolta
e assim se fecham
meus dias miseráveis.
Tapas esplactados,
espirros de sangue
encobrem o horizonte
como se Deus chorasse,
implorasse de joelhos
para seu filho não ser assim.
Não fale, não faça, não seja,
nunca nem nada contra mim.
E os portões do inferno
se abrem ao reflexo
das navalhas repicadas
às brasas das minhas lágrimas,
flamejantes de solidão...
passam-se dias...
A agonia me entorpece...
ah... como são vagos estes dias
ofuscados de incertezas...
se sou um monstro entre marionetes,
ou apenas um anjo expulso do céu...
que pra lá quer voltar...
antes de se destruir... de tanto chorar.
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*483: O Coro do Fim.
É como se a morte,
morresse quando você,
com seu olhar forte,
que só você sabe ter,
sobre as chamas
da vida querida
magoada e sofrida
maldosa em tramas,
se mostrasse perdida
ao som que reclama,
conclama e racha minha ferida,
num intenso corte
num truque de sorte
te lembrasse... esquecida.
É como se a alma,
se fizesse de calma,
num toque reluzente,
um sorriso estridente,
olhar transparente,
entre o medo da solidão,
entre a dor da indeclaração,
vem você novamente,
com seu sorriso estridente,
pingando veneno,
e eu deitado no sereno,
e me deitas um beijo...
e no frio eu rastejo...
já me fecho, olho pro céu...
já sinto o gosto de fel
por um sorriso, arquejo,
por um segundo me vejo...
É como se tudo bastasse.
Num longo caminho,
se lá eu chegasse..
me visse sozinho,
e um abraço me desse...
uma lágrima umidesce
o meu brado espeitar
ante a vida trucidenta,
entre a mágoa sedenta
de lágrimas, sangue e suor...
e a marcha eu sei de cor...
caminham entre o murmurar,
entre o desejar, entre o vagar
do sopro do coro
fedendo a desaforo
de quem está... a se obrigar,
a caminhar... a cantar...
É como se tudo passasse...
e nada mais valesse
além desta lágrima na face,
ou um descer, como esse
velas, flores... choro,
eu conheço este coro...
eu sei de cor esta marcha --- sim...
é o começo do imenso,
o esquecer espesso e intenso,
o desconhecido é assim...
é a minha coroa de rosas... lúgubres...
é o coro de vozes... fúnebres...
me descendo no caixão..
me coroando em vão...
cantando o coro...
forçando tanto choro...
são falsos assim...
são vãs minhas homenagens
minhas lembranças são bobagens...
pois este é o coro...
o coro do fim.
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