Da 392ª à 402ª.

2009-01-10 15:42

 

 

*392: Manifesto Massita.


 

A gente nasce para ser

O que o mundo precisa,

O que o mundo necessita

Para a sua mudança.


 

Queria encontrar letras,

Queria ver se seria isso

E caí ali de lado, chão...

De lama em meu olhar.


 

Chão de espelhos na alma

Dos que convivem com vermes

Que fizeram meu caminho...

Virei o que eles eram.


 

Esse mundo não me quer,

Não deseja os que fazem

Um mudo só para si...

Sonhos se foram...

Estou ainda aqui... Covardes!

Não cairei nem ao máximo esforço

De mequetrefes como vocês...

O guerreiro está de pé

Para lhes ver ajoelhar-se perante ele!


 

Acordo e durmo entre as massas,

Das massas te escrevo, meu amor,

Cheiro ao fedor do suor da massa

E à massa me misturo pelo meu andar...

Pelo rosto queimado de sol... Pelo sapato furado...

Pelo soluço ao chorar por ser da massa.


 

Mil eruditados não valem um da massa,

A massa pede a revolução do orgulho...

E a decapitação da humilhação...

Pedimos um abraço do ricaço dono

da fábrica de embalagens!

No nosso irmão: o lixeiro suado e fedido.


 

Nós, a massa... Somos a vitória...!

Vencemos todos os dias...

Em nossos ônibus lotados...

Voltando do trabalho, voltando da guerra...

Que é sobreviver,

Sem derramar sangue...

Dos donos do nosso mundo.

 

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*393: Menino Ingênuo.


 

Deixemos o céu cair

e veremos que a verdade brilhar

no lustre do monstro,

mostrando a sombra,

as mentiras que fizeram o mundo.


 

Olhem do chão sem cortes,

obscuros e longínquos

do que seria real,

do que se pede para ir dormir.


 

Boa noite a ela,

ela que me cai no frio

dos meus ardentes pensamentos,

pra que tantas perguntas?

E o menino se pergunta

se ele é quem não foi longe demais.


 

Hoje sonhos valem uma vida,

sabemos que vida sem sonho

nunca será vida – veja a sua,

mas hoje é somente um que ela vale,

sonhe comigo doce menino,

acorde os seus olhos

na minha alma e me engrandeça,

e jamais será reconhecido,

como um pequeno e frágil menininho.


 

Vê você as leis deste mundo, menininho,

vê você quem ele é de verdade,

e descobrirá a mentira que tu és,

e descobrirá a mentira de onde veio.

 

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*394: Meu Amor da Minha Vida.


 

Até ao fechar os olhos vejo seus olhos,

são como estrelas para o meu olhar,

caminham sozinhas dentro da escuridão

para uma intensa

exclamação de luz me levar.


 

Nas nuvens deste céu brilhante

vejo um olhar que reluz o paraíso,

não me aquieto não meu amor,

imploro ao vento que traga a tua alma

para o meu peito, vir habitar neste sereno,

leve-me... alcance as longas amarguras

porque lá me encontro num canto,

sozinho e agonizante pelo amor

da bela das mais belas,

minha estrela-guia

no labirinto desta vida monstruosa,

incapaz de ser feliz sozinho,

cruel com os solitários...

só você meu amor...

minha coragem, meu profundo ser eu mesmo,

só o teu peito para fazer

meus passos prosseguirem,

cruzarem as trevas da morte

sem vacilar de piscadas

na linha de fronte ao medo.


 

De você vieram as maravilhas deste mundo,

por você, por te invejarem eu sofro tanto,

me calo ao ver-te passar por mim,

mas continuas aqui, no meu coração,

na minha mente esteve desde que eu vi raiar

o primeiro facho de luz solar,

dos teus olhos, da tua brilhosa alma,

do teu colo ardente,

do teu peito desdenhoso de carinho,

espumante de desejo... amor, só o amor,

o puro e estagnante sentimento

que te explica em palavras,

só o amor é o que você representa

neste mundo, meu amor, minha vida.

 

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*395: Na Madrugada.


 

Toc... toc... toc... toc..

Gotas pingam no meu sonho,

Molham e alagam

A minha cama,

Enxurralhando o sono.


 

Chuá... chuá... chuá... chuá...

Já sou eu secando a minha cama

Já sou eu secando o rosto

E parando de nela pensar,

Para nela dormir e com ela sonhar.


 

Tic-tac... tic-tac... tic-tac… tic-tac…

Se passou meu amor,

Pois por mim passou o tempo

E depois só sei passar,

Passando horas frente ao espelho

Querendo nele me enfiar.


 

Zig-zag... zig-zag... zig-zag... zig-zag

Já vou eu de canto em canto,

Esperar o meu amor voltar

E quem sabe saio eu deste pranto...

Que sabe... Ela volte a me amar.

 

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*396: Narrador.


 

Um trinco no vidro,

Barulho no silêncio...

Silêncio quieto

Louco abandonado

Calado e fechado

Na repressão pragmática.


 

Eu tive os teus sorrisos,

Estavam no meu olhar,

Profundamente inquietavam-me...

Relutantemente a me molhar

E eles viam a dor,

A cereja brilhar

No topo da minha desgraça.


 

Lançada ao vento

Separa a cabeça

Do corpo cansado,

Cabeça cansada vida cansada

Passado passado

Enfim... Arrependimentos.


 

Os sonhos acabaram

E continuo falando

Contando com letras

A tabuada exponencial

Da minha miséria.

 

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*397: No Brasil é Assim.


 

No Brasil tudo se dá um jeito

E os que menos têm direito

São os que sofrem com o desrespeito,

Os que são condenados sem nada terem feito,

Os que já tem o sofrimento como aceito.


 

No Brasil todos brincam de verdade,

Pois dela, não sentem nem saudade,

Esqueceram até o que é liberdade,

Lembrando-se apenas de tornar normal a impunidade,

A diversidade de crimes contra a vaidade

Do Brasil varonil, cheio de graciosidade...

Cheio mesmo é de hipocrisia e falsidade,

Farto apenas de reclamações da sociedade...

Que é ela além de nós: arquitetos da realidade?


 

No Brasil ninguém diz o que fez,

Não se agüentam, quando se olham com lucidez,

Não percebem que o sonho é apenas uma insensatez

De algo sem senso, sem ética, algo que ele não fez,

E se mesmo que fizesse, seria por embriaguez,

De alguém que se embebeda de novo e mais uma vez...

Errando de novo e sempre e talvez...

O sempre não fazer ou o errar foi o que sempre fez.

 

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*398: No céu.


 

Pelos fachos de luz,

da luz intensa do sol

posso ver teu sorriso,

sinto seu caminhar,

no caminhar das nuvens,

chora por mim...

ou chora por nós nas chuvas?


 

O teu cheiro sinto no vento,

me circula e destrói minhas lágrimas,

e teu suor... teu esforço

para fazer-me dormir

depois desta noite,

estou tão cansado, queria te ver,

quero dia e noite teu abraço,

a natureza me ajuda a superar...

tudo me diz que tudo vai passar,

e o que não passa é só você,

mas... você vem?


 

Agora que você se foi...

a terra está tão vívida

as flores florescem tão rápido,

teu corpo, teu cadáver é um templo...

onde habita a mágica da vida...

porque a morte quis assim,

e assim ficamos nesta lápide,

espero que goste destas flores,

lembram-me você,

sempre tão alegre...

te amo.


 

Desculpe, mas tenho que ir...

a vida pede... senão me perco

na sua morte e não te vejo...

suicidas não vão onde estais,

me espera meu amor...

eu logo estarei aí,

tenho mais um pouco para chorar.

Por você.

 

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*399: Mentor.


 

Aqui... conhecimento é poder

ao mesmo tempo que poder é provisório...

tudo passa e as pessoas se superam

superando os que antes as superavam.


 

Te olhando nos olhos

vejo o tanto que você cresceu,

uma grande alma se formou,

e para isso o que fiz?

Nada... apenas te ouvi...

compreendi o que queria me dizer,

admito que você era tão...

não sei o que digo...

sei que digo a verdade,

você hoje arranca elogios

de quem tanto te odiava.


 

O tempo é seu amigo hoje,

mas sempre correrá contra a vida,

ela tem um relógio... guardado,

pronto para tocar quando você

não estiver esperando.


 

Quero que fique com minha luz,

e cada palavra minha é você,

é bem pensada e montada

para te lembrar de você,

do que você foi e o que é.


 

Hoje te vejo como você é

quando éramos desconhecidos...

te via para hoje... você é o reflexo

de tudo neste mundo,

de tudo que nasce, cresce e morre,

você terminou hoje de nascer,

espero que me leve consigo

até sua morte, pois agora...

nesta hora estais comigo,

aqui no meu peito.


 

As personalidades suicidaram,

as que não isso fizeram,

eu mesmo as matei,

as máscaras caíram...

e eu estou aqui...

nu no meu do palco,

focado pela luz da crítica,

pronto para encarar o mundo,

de acordo com o peso que carrego,

sobre meus ombros: coragem.

 

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*400: O Céu Abre-se,


 

Lá entra meu amor,

Agora o mundo é cinzas...

Meu Deus, o que é que eu fiz?

Serei eu minha sombra...

Minha dor de mim mesmo?

Pobre alma a minha...

Vagarei sozinho...

Caminhemos meu sólido,

Solidário...

Solitário papel...

Vamos a fundo à minha dor.


 

Esta noite não dormi,

Mas sonhei com dores,

E tinha ela, sangrando,

E tinha lágrimas,

Tinha a tragédia encenada

No palco da realidade...

E como eu chorava...

Ah se chorava ao ver

A morte bater de leve

Aos meus ombros me avisar...

- Irás hoje querido... Venha e vamos... deixo-te

A lembrança de teu caminhar...

Mas traga o choro contigo,

Para velar-mos tua entrada...

Nos portões do inferno.


 

E como eu chorava,

Ah se chorava,

Vi minha mãe me cuspir,

Vi meu amor me esfaquear...

E vi a humanidade inteirinha zombar de mim...

O inferno turvou-se no meu peito...

Esta noite não dormi,

Mas sonhei comigo... Sonhei...

Nada... Tive pesadelos,

sombrios são poucos...

Horrorosos são todos

E estou aqui, contigo caminhando.


 

Esta noite chorei tanto,

Nem dormi,

Mas sonhei...

Sonhei com você,

Sonhei que andava,

Escrevendo e andando,

Andando e falando

Sozinho.

 

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*401: O Maldo Bem Material.


 

Materialista nojento,

és apenas uma alma carente,

que a falta do verdadeiro amor sente,

e procura onde se perde o verdadeiro sentimento.


 

O materialista é feito de material que se pode tocar.

espesso e opaco sem valor

para o mundo monetário do amor,

onde o que vale é o que o dinheiro não pode comprar.


 

Para o nosso amigo mais vale o paraíso,

cheio de boemia de sorrisos falsos,

do que os pobres aclamando-o descalços,

o agradecendo, pagando-o com um lindo sorriso.


 

Materialize-me um sonho por ti sonhado...

terás então a vida como ela nunca seria,

senão fosse para te fazer feliz, quem te faria?

Além de tu mesmo com o aprendizado de ser derrotado.


 

Não seja a pobre alma que somente lamenta...

por isso não ter ganho, ou aquilo não ter comprado,

preocupe-se com o tamanho, do sorriso que te é ofertado,

aí verás que ao viver assim... a dor do só mente em ti aumenta.

 

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*402: O Poema.


 

O poema

transformou-me em louco,

expulsou-me da mesmice,

me trancou para fora da dor,

me fez sorrir das lágrimas,

e por mais que me entristecia,

o poema vinha me libertar.


 

O poema

é nosso leal companheiro,

é sempre o mais puro,

e sempre nosso é caminho,

quando o caminho nos abandonou,

desistiu de ver tanta desilusão.


 

O poema

me revelou o que ante não via,

e no que via tampo-me os olhos,

para não sofrer pelo que não posso,

nem nunca vou poder amar,

por mais que o amor resista para mim sofrer.


 

O poema

veio nos sorrindo,

veio sobrevoando todo tipo de orgulho,

ele ofende a quem se odeia e o faz sorrir

da sua própria falta de esperança,

e renova a ternura e uma vida se resgata.


 

O poema

não e nunca me é o mesmo,

mas a calma é sempre igual,

igual da primeira vez que li o poema,

me debrucei sobre a vida... acordei

e hoje estou solto... no poema.

 

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