Da 156ª à 166ª.
2009-01-10 13:53
*156: Invisível.
Belo dia o que te conheci,
belos olhos os que eu vi,
belo sorriso o que me sorriu.
Conheci minha vida naquele dia,
descobri que amava, e que sorria,
mas a mais linda, isso nem viu.
Sou muito quieto no meu canto,
choro baixinho, no meu pranto,
tão baixinho que você nem ouviu.
Te amo tanto, mas amo calado,
te sinto tanto, mas sinto disfarçado,
e você... você nunca me sentiu.
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*157: Justiça Seja Feita.
Lembre-se da luz branca
quando chegares ao céu,
pois foi ela quem te trouxe à vida,
e te livrou do árduo inferno;
te lançou mil maravilhas
durante seu aprendizado na terra,
e acima de tudo te deu amor;
mas se a luz branca irradia
tua beleza delicada,
de plumas e pétalas de rosas,
se lance num mar de espinhos,
e se banhe no próprio sangue;
que jorrará nos espetos;
pragueje contra todos
aqueles que disseram ser seus amigos,
escudeiros e namorados;
corte seus dedos nas pontas
e faça de primeira refeição nas alturas.
Vá lá em sua banheira
buscar um copo do teu sangue,
e com ele mate a sua sede de justiça,
pois já que a justiça só pede sangue;
mas dizem que no céu tem amor,
já que a cor do amor é vermelha,
espalhe seu sangue ao ar espirrando-o
com sua jugular estourada
em pleno o sol celeste
das belas tardes na floresta da glória.
Já que o que era belo
a essas alturas se perdeu,
e cheira intensamente mal...
então...
dê um sorriso,
mas, que seja dos mais alegres,
que nos deixe contar seus dentes
vermelhos... do sangue do condenado;
mostre que ainda
tens a fome da justiça;
seja o que ela seja para você...
trará muita dor
para quem te fará a vontade,
mas enfim... dará um belo quadro,
para pendurares em teu quarto;
ajoelhar-se à noite antes de dormir,
e rezar para aquele que está no céu,
te esperando para fazeres o que pede,
aquele que foi seu motivo
pelo qual pedistes justiça
e tirastes a vida de mais um.
Talião é o escrivão do inferno,
e que ele escreva seu nome,
na coluna dos que só têm a justiça
quando sentem o gosto de sangue...
nadando na boca
que clama cada vez mais
por justiça.
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*158: Lágrimas Brancas da Preta Dor.
Papel branco, papel branco, papel branco...
se existe alguém mais lindo que você...
é porque já foi rabiscado de lápis
com um poema de amor esboçado,
revelando diversos caminhos a seguir,
para trazer os suspiros da minha amada.
Papel branco, papel branco, papel branco...
se o mundo fosse branco me riscaria,
pois seriam lindas todas as poesias,
que os pássaros fariam versando as asas no ar,
e a linda cobra coral num tronco com fungo,
num bote certeiro e profundo no mesmo ar,
em que poesita seus versos o lindo sabiá.
Papel branco, papel branco, papel branco...
que se branco fosse a minha dor,
caricaturaria minha finada amada
e para sempre nadaria no branco-intenso-amor,
lançaria-me ao perfume de brancura radiante
que viaja no ar, trazendo-me a alegria,
me arrebatando à terra da fantasia,
pois lá o preto da agonia não se pinta,
nem figura a solidão sobre paredes e palcos,
da minha sempre carente-solitária-irreluzente vida
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*159: Lição de Casa.
Riam comigo
do que aprendi
na escola com
meus professores:
A revolução acaba,
o revolucionário morre,
e a sociedade continua.
O homem tudo destrói;
mata a “sua” humanidade;
ele morre, e a sociedade...
continua.
Digo que aprendi
a ser quem eu sou
na escola;
vi os meus mestres
me ensinado a ser
um lixo de cidadão;
me enojava nas aulas
sobre política,
tirava zero.
Zero pra quem acha
que vai mudar
o ensino público;
com quem vai acabar com
a separação de ricos e pobres
nas escolas; para termos
um país, e não um lixão
onde se separa
o que os vermes já comeram,
do que é reciclável,
e do que vai hoje
para a mesa do menino catador
do lixão, que recebe a esmola
da sociedade...que continua.
A sociedade sempre continua...
a sofrer...a ser explorada...
a se explorar, e se matar,
a se cegar segando seus filhos,
que já nascem para ser escravos!
Minha mente eles não têm,
e se minha alma quiserem,
não poderão pagar por ela,
nada paga nem apaga
a minha chama da revolução,
posso passar, mas vou passar,
para a eternidade!
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*160: Manifesto dos Esfomeados.
Sorria para a sua multidão
senhor político ladrão;
assassine com a caneta
o boi-da-cara preta,
dos sonhos das crianças;
dos adultos mate as esperanças
de ver um Brasil mais justo,
sem os filhos deles na fome,
enquanto o seu de tudo come
ficando a cada dia mais robusto.
Que semblante assassino o seu,
que chora para as notícias de jornais
parecendo até que se comoveu,
ao ver seus eleitores vivendo como animais.
Deveria ser esfolado vivo em praça pública,
por sugar todo o dinheiro da Educação;
e por afundar todo o futuro da República,
deveríamos comer no almoço o seu coração.
Mas os brasileiros não se preocupam,
se amanhã os seus filhos vão ser todos escravos,
só sabem festejar e só de novela se ocupam,
para de manhã se venderem por míseros centavos.
Vamos à luta meu povo brasileiro,
pois deste mundo, só o povo é o juiz!
Antes libertaremos todo o nosso país,
depois nossa revolta ganhará mundo inteiro!
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*161: Mas Tudo Com Fim.
1)Fechado 3)cercado
2)escuro 4) muro
surgem urgem
letras canetas
versando gritando
amor dor
solidão desertão
derrotas revoltas
mas com
tudo fim
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*162: Menino de Rua.
Por apenas um único sonho,
nunca mais em vida eu dormiria,
nem para a realidade iria,
pois lá é que vegeto tristonho.
A rima sai torta
e se endireita
na curva direita
do lado esquerdo
do seu peito.
As letras se embaraçam,
no “S” da Solidão
e caiem já tontas
no buraco do U
da nossa União.
Tudo isso para fazer
pulsar a compulsa palavra
que diz que a vida
é o amor... que estonteia,
tropeça nos caminhos
- já passados,
e cai na profunda
escuridão da morte.
Como nunca aprende
quem ama perdidamente
que se perde e tanto ganha
um grande motivo
para espiar o sol
com um sorriso
mais brilhante
do que os mil sóis
do amor universal.
Que não se perca
em um brilho de sorriso,
o frio que traz a dor
e que faz a criança tremer
e morrer de fome...
sem um brilho de amor
do calor do sol.
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*163: Mensagem da Poesia.
Posso mesmo ser feia...
toda torta e relaxada,
não me diga que me odeia,
sei que o ódio é só fachada.
Mas se na verdade ódio existe,
e, é fato que você não tem o amor,
pois vive nesse mundo sozinho e triste,
com uma vida que só conhece a dor.
Venha comigo... sou a própria Alegria,
vivo na intensidade de cada segundo,
e broto no grande poço de fantasia,
eu salto e mergulho lá... do topo ao fundo.
Vamos... pare logo de pintar,
tantas paisagens de tristeza,
pinte a humanidade a se amar,
e esqueça de vez essa sua frieza.
Nós temos os sorrisos das crianças,
não tem problema se o sol não se pôr,
tenho infinitas e radiantes esperanças,
de que em sua alma mora o esplendor.
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*164: Merchandaizing.
Vende-se uma verdade em ótimo estado,
com lentes para vê-la de todos os lados;
também vem bombas, para quem a ela resiste,
e para defendê-la, vem com mil soldados;
traz junto, provas da CIA de que ela existe,
e tudo pelo jornal quem a comprar assiste.
Vende-se a honra de uma nação bem rica,
que de suas inesgotáveis riquezas se abdica,
e que por não querer lutar e matar, se entrega,
e por pura cortesia, se flagela ou se crucifica;
para pisar de vez em si mesma, ela se nega,
se cativa ao venerável comprador: o colega.
Vende-se sangue humano engarrafado,
é o puríssimo mel do povo escravizado,
que depois de vender barato a sua alma,
vendeu seus ossos e sua carne no mercado,
onde é mais barato quem morreu com calma,
e é mais caro quem tanto defendeu sua fauna.
Para divertir a audiência, temos zumbís,
que se diziam neutros e inocentes civis,
e hoje nem a eternidade não os abriga;
nós embalamos para presente em barris,
e para amaciar a carne pomos uma lombriga,
que é super segura e não dá dor-de-barriga.
Essas são as ofertas de hoje, freguesia!
lembramos que somos a melhor burguesia,
e por sermos a melhor, controlamos as leis,
temos em nosso estoque a mais pura covardia,
onde a compramos dos políticos de uma vez,
e a oferecemos aos melhores escravos... a vocês!
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*165: Minha Lápide.
Antes que os vermes,
desta terra tão adorada,
e regada com sangue
venham me lavar
com seus mantos solitários;
deixo aqui minha dor,
pois na morte,
mesmo que no inferno
por minha grande boca
eu vá reinar;
que eu deixe minha dor,
para que lá possa enfim
sorrir e dizer
que tive uma vida
livre, seca e boa,
com as prisões
da consciência;
com meu rosto
molhado lacrimejante;
e com as maldades
que a solidão me pregou.
Minha alma
do início ao fim,
foi marcada de humor,
seja de bom ou de mau,
sempre tive o amor,
até no deslisar
desses vermes na terra,
ou no seu sorriso
meio-aberto ao me ler,
que sejas mais feliz do que eu,
que eu possa sempre,
fazer-te companhia
minhas pitangas,
para lembrardes
de que dor maior
sempre existe;
basta chorar
mais um pouco
para vê-la ,
ou sorrir
sinceramente,
e abertamente,
para vencê-la.
Lembre-se que
muitos choraram,
e que eles te querem,
ver sorrir,
isso alivia o meu peito,
do humus tenebroso,
que entra pela minha boca,
desce na garganta,
e vai até o vão
onde tinha o meu coração,
ele batendo,
está com você,
vai bater até você acabar,
de ler essa lápide.
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*166: Minuto de Silêncio.
Você que me renova
todas as forças,
que tenho para vencer.
Você que me mergulha
em seu peito flamejante,
sedendo, pedindo amor.
Você que me traz a luz,
do caminho no meio
das trevas do mundo real.
Você que me deu vida,
para eu dar ao mundo
motivo de se viver para amar.
Você que me matou
de saudade na distância,
e me mata a cada piscar de olhos.
Você que me faz levantar,
sonhar de pé e enxergar
um sonho no meio da derrota.
Você... meu amor,
você minha vida,
você minha dor,
você minha ferida,
você... só você!
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