6 Anos de Literatura
2009-03-14 22:49Discurso do amigo: Ignácio Pereira da Conceição, no dia 23 de Setembro de 2008, no Pont Chic - Perdizes; São Paulo.
A impressão dele é a simples de se admirar.
Conheci-o num evento literário e só de apertar-lhe a mão, percebi algo que todos logo notam: a desacreditância.
Hiago não trata aos superiores. Não hierarquiza a nada nem ninguém, como se todo o mundo fosse-lhe desimportante, desinteressante.
Hiago tem um mundo só seu; sua forma de vê-lo impressiona pela falta de extremos, como se tudo fosse branco. Onde, estar com fome ou ter ódio são coisas tão indiferentes como que iguais, por sem importância, por tudo significarem o viver e estar vivo.
Aceitar o Hiago como amigo é quase como cultivar uma religião, mas de uma forma em que tudo é permitido, “inclusive os piores crimes, desde que façam sentido” (palavras dele).
Na intimidade as coisas pioram... ou melhoram: em casa, tem a coberta do Hiago, com que ele dorme sempre, independente se inverno ou verão; o copo do Hiago, com que ele toma tudo, de café até suco; o pote do Hiago, com que ele faz todas as suas refeições. E fora estes objetos, tem a tão conhecida: caneta do Hiago, com a qual ele escreve suas poesias e só a deixa quando toma banho (palavras da dona Bete, mãe dele):
Fora estes objetos pessoais, as excentricidades agravam-se no lavar a mão a cada meia-hora; no apertar a mão das pessoas sempre com a esquerda, mesmo sendo destro e canhoto de treinamento; no fazer o café com o mesmo pó da vez anterior do mesmo dia; no tomar café somente depois de escrever uma poesia; no tomar banho somente depois de tomar o café da manhã ou somente depois do jantar; no andar sozinho (nunca conversa enquanto caminha acompanhado); Hiago, fora estas frescuras, tem manias tão inexplicáveis quanto malucas: coleciona bulas de remédios; coleciona canetas vazias; anda com a caneta na boca pelas ruas; imprime todos seus originais só em folha sulfite amarela; só começa a escrever depois da terceira xícara de café; só dorme depois das 6:00 da manhã; só escreve ouvindo música; só versa à mão, e... só prosa com um objetivo, tendo o livro terminado antes na cabeça, depois no papel (daí que ele te conta todo o livro como se fosse um filme, antes). Onde vai, vai sempre com uma mochila, nela: um livro para a leitura, em momentos entediantes; e um caderno, para a anotação, em momentos interessantes.
Hiago tem uma sensibilidade com as coisas simples demais, como se desviasse a atenção do que tanto todos focam-se. Tem sim um ar narcisista, irônico e até arrogante, mas não gosta de dividir sua opinião com os outros à toa, o que faz com que quase ninguém perceba estas três 'quase negativas' características de sua pessoa.
Aqui, penso haverem pessoas que o conhecem muito mais do que eu, mas posso afirmar que a forma com a qual eu reconheço este poeta romancista, contista e 'literático' é muito especial; por isso pedi a atenção para expressar-me. É com grande apreço e ainda maior orgulho, que parabenizo o jovem experiente escritor: Hiago Rodrigues Reis de Queirós, por seus 6 anos de literatura, regados de muito empenho, muita dedicação... mas acima de tudo: muito talento.
Obrigado. Desculpe, Hiago... mas a dona Bete me ajudou, denunciando suas manias.
(agradecemos ao senhor: Ignácio por nos enviar o discurso em arquivo).
———
Voltar

