4 Anos de Literatura
2009-01-29 22:02Reunião de escritores na Livraria Cultura de Pontra Grossa, no Paraná, no dia 23 de setembro de 2006. (transcrição: Adolpho Costa).
--- Boa tarde. Gostaria de contar uma anedota sobre o Hiago, tudo bem?
Estava numa fila de banco. E na minha frente havia um rapazinho magrelo, dentuço e coberto de espinhas, com o rosto enfiado num caderno, em silêncio; entre os dedos, girava uma caneta com o tubo de tinta quase ao fim. Estranhei, pois é muito difícil alguém carregar uma caneta tempo o suficiente para que a tinta quase se acabe.
Hiago, virou-se em silêncio ao meu olhar e me perguntou sobre alguma 'palavra molhada' que rimasse com a palavra: chuva. Obviamente, não pude responder... e, desafio alguém aqui, a erguer a mão e citar alguma palavra. Ninguém? (Ninguém moveu-se).
Vejam que estávamos na fila do caixa do banco. Hiago disse-me as palavras: curva, luva, turva e mais outras três que agora eu não me lembro por serem muito incomuns, mas... mas ao fim, dispensou-as, dizendo-me que nenhuma era uma palavra molha, pois “a chuva não era vista se turva, a chuva não era curva se cai reta ou torta, e ao fim, disse-me que a chuva não pode ser luva, pois molha e não protege.
Citou-me então a palavra: Pluvia, e eu disse que esta não era uma palavra da língua portuguesa, e sim da língua latina. Ele, respondeu-me que estava fazendo uma poesia com sua licença poética, e que a tal palavra era, na verdade: fenícia-grega-etrusca, mas que foi encorpada pelo latim e posteriormente não pelo português por causa da própria palavra: chuva. Eu teria dito o que além de me calar? Virei-me, ofendido pela minha falta de argumento frente àquele adolescente, e tratei de cuidar do meu ligar na fila, pois se ele sabia daquilo, poderia muito bem tomar minha vez. (risos)
Ao pagar a conta, virei-me para ir embora, e o Hiago me deu este papel aqui, contendo estes versos:
A chuva corria ao meu olhar...
a plúvia pluvia do meu amar.
E o que queriam dizer aqueles versos? Diziam de um rapaz triste? Não... diziam de um gênio!
Esta é minha impressão deste rapaz. Está aqui, tem 16 para 17 anos, e sua poesia está está muito além desta idade.
Parabéns Hiago, e, obrigado por existir na literatura brasileira.
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