1000 Poesias
2009-03-12 09:00
Willian Reinoldt de Souza, em discurso de comemoração das 1000 poesias do Hiago, no dia 5 de março de 2009, no club Homs, São Paulo.
Falarei daquela agenda, tudo bem, Hiago?
Por conta de não ter condições de criar todos os filhos, D. Beth enviava o filho mais velho para morar com os parentes de várias famílias, sendo uma destas, a dos Rodrigues Mendes, instituída na cidade de Ponta Grossa, no Paraná.
Hiago morou lá por vários períodos, sendo o último, do ano de 2001 a 2002, quando foi trazido para São Paulo, juntamente com a irmã: Gabriela, por sua avó: D. Doroti.
No dia 23 de Setembro de 2002, estavam de partida, na rodoviária da pequena cidade, esperando o ônibus da viagem, quando, no banco ao lado, estava uma agenda de capa preta, --- esta aqui --- (mostra a agenda), toda marcada com compromissos nas respectivas páginas das datas, mas, ao dia da viagem (23/set/2002), Hiago encontrou dois versos, quase ao fim da página: MORRER DE AMOR, / MAS NÃO MORRER DE NÃO AMAR.
Leu, mas não os compreendeu. Tratou então de deixar a agenda como tinha encontrado, na mesma posição e lugar. Foi sentar-se e lá no outro banco a deixou. O ônibus chegou, e ninguém aparecia para vir buscar a tal agenda, até que, já embarcado e quase partindo, o menino desceu do veículo e recolheu o objeto, dizendo para o motorista que esquecera 'a sua agenda'.
Não faziam sentido aqueles versos, por isso completou-os, antes e depois, formando uma poesia, a primeira: Mas Quem Sabe Se Meu Sol, ainda na viagem, pela madrugada. E, chegando em São Paulo pelo amanhecer, já sabia o que queria ser quando crescesse: Poeta.
Mas, crescer? Ele tinha ali feito sua primeira, tombando já à segunda, à terceira, à quarta, à quinta... como esperaria para quando crescesse? A poesia estivera com aquele menino desde sempre, apenas esperando ser notada, e a prova real disso foi a conclusão do primeiro livro: Prosas Que Rimam, com 80 poesias, ao dia: 16 de Março de 2003, quase seis meses depois de ter versado a primeira. O que era muito pouco, segundo alguns amigos lhe disseram --- inclusive eu mesmo ---... e o que o Hiago fez? Mudou o nome de seu primeiro livro, e numerou-o como sendo o primeiro, tendo então 111, Poesias? Não... tendo 111 Prosas Que Versam... e as vezes rimam, terminado definitivamente em: 26 de Abril de 2003.
Em 12 Janeiro de 2004, Hiago concluiu o 112 Prosas Que Versam; em 13 de Outubro de 2005 foi o 113 Prosas Que Versam; em 16 de Abril de 2006 terminou o 114 Prosas Que Versam; e... no ano seguinte, Hiago, então com 17 anos, escreveu, em 15 de Novembro de 2007, A Última Carta, introduzindo o 115 Prosas Que Versam... e as vezes rimam, encerrando o título com 565 poesias e num tempo extraordinário, que oficialmente é de: 1870 dias.
Mas não parou por lá... tanto que está aqui, hoje. Veio caminhando, versando seu maior poema: O Andarilho, de 1000 versos decassílabos; concluindo, em 12 de Março de 2008, junto com o livro: Silêncio Interno, com 51 Poesias; e em 01 de Novembro de 2008 o fantástico: Acerto de Contas, com 100 Poesias; em 07 de janeiro de 2009 o livro com 150 quadriversos: Versos Versus Tristeza; em 25 de Fevereiro, as 124 poesias do: Versando Sem a Lua... ele ainda continua, tendo, atualmente, 10 poesias do seu próximo livro: Onixes, somando na contagem geral, da primeira: Mas Quem Sabe Se Meu Sol, de 23 de Setembro de 2002 até a: Dançando o Vento, de hoje: 5 de Março de 2009, quando o Poeta: Hiago Rodrigues Reis de Queirós, com apenas 19 anos de idade, comemora sua milésima poesia.
Não há precedentes na história da literatura, e se houvesse, mesmo assim o nosso Hiago seria singular por seus poemas; sua oralidade muda, que lê mas não recita; sua tragicidade melancólica, que observa de dentro; sua tristeza consciente, que elucida a lucidez... Hiago é um grande poeta, assusta ter de dizer isso, mas ele ainda está só começando.
Parabéns, sobretudo, pelo seu empenho e sua extrema dedicação à literatura. E que todos um dia possam ter a honra de conhecer sua magnífica pessoa.
Muito obrigado a todos pela atenção, obrigado e parabéns, Hiago. Boa noite!
Agradecemos ao sr. Willian por nos enviar o discurso em arquivo eletrônico.
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